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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MEU BAIRRO, MEU TERRITÓRIO

Neste segundo tema integrador da UF II, trabalhamos a história do bairro de nossos alunos. Discutimos sobre questões referentes às mudanças ocorridas ao longo do tempo no bairro onde moram e o que tem sido feito para melhorar a vida no lugar onde moram. Esses dados foram coletados através de uma pesquisa de campo, onde os alunos iriam entrevistar as pessoas que moram a mais tempo no bairro.
Procuramos também levar em conta quais são os laços afetivos que os prendem ao lugar onde moram, se eles pretendem se mudar para outro lugar. Essas perguntas foram respondidas através de uma produção textual, que tem como título o tema integrador.
Para  complementar essa temática, assistimos ao filme "A vila" (2004), um suspense norte-americano que retrata um modo de vida bem diferente daquele em que estamos inseridos. Cada um dos líderes da vila já sofreu com algum tipo de violência urbana e, por isso, isolam-se nessa vila a fim de fugir dos problemas da cidade. Entretanto, esso modo de vida é sustentado pelo terror e mentira com o intuito de encobrir a realidade comum e se afastar de uma sociedade violenta. Criaram uma comunidade “pura” e “inocente”, onde seus habitantes são humanos e imperfeitos, onde mais cedo ou mais tarde, o crime brota como uma realidade não transformada no coração e atos dos homens. Vale a pena assistir.
O tema deste filme agrega três temas das nossas aulas de Integração: um contraste com o tema Viver na cidade, a questão da identidade que a vila apresenta e a violência internalizada no indivíduo, usada para afugentar os jovens da cidade grande.

SÍNTESES INTEGRADORAS

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Viver na cidade

JUAZEIRO DO NORTE - CEARÁ
Fonte: http://www.ronaldocamacho.com.br/juazeiro-do-norte-a-meca-do-sertao/

Esse é o tema integrador que abre a Unidade Formativa I. Introduzimos esse tema em sala de aula através de uma roda de conversa sobre como se constitui a vida nas cidades, especialmente a nossa cidade de Juazeiro do Norte. Construímos, no quadro branco, uma grande cruzadinha, falando sobre as conquistas e os problemas que vivenciamos. Após essa dinâmica, foi proposto aos alunos que descrevessem como seria "a cidade dos sonhos" deles. Mais tarde, postaremos algumas dessas produções.

Trabalhamos em sala de aula um texto "No começo era o pé", de Dinah Queiroz. Esse texto faz uma intertextualidade com o texto bíblico que abre o Evangelho Segundo João: "No princípio era o verbo". Nesse texto, a autora denuncia os problemas referentes ao transporte público, mostrando o preconceito social deste à colonização brasileira.

Segue abaixo o referido texto e as questões exploradas pelos alunos:


Romeiros subindo a ladeiro da Horto - Juazeiro do Norte
Fonte: http://www.flickr.com/photos/13198523@N07/1468829081/



NO COMEÇO ERA O PÉ
Dinah Silveira de Queiroz


Sim, no começo era o pé. Se está provado, por descobertas arqueológicas, que há sete mil anos estes brasis já eram habitados, pensai nestas legiões e legiões de pés que palmilharam nosso território. E pensai nestes passos, primeiro sem destinos, machados de pedra abrindo as iniciais picadas na floresta. E nos pés dos que subiam às rochas distantes, já feitos pedra também; e nos que se enfeitaram de penas e receberam as primeiras botas dos conquistadores e as primeiras sandálias dos pregadores; pés barrentos, nus, ou enrolados de panos de caminheiros, pés sobre-humanos dos bandeirantes que alargaram um império, quase sempre arrastando passos e mais passos em chãos desconhecidos, dos marinheiros de barcos primitivos e dos que subiram os mastros das grandes naus. Depois, o Brasil se fez sedentário numa parte de seu povo. Houve os pés descalços que carregaram os pés calçados, pelas estradas. A moleza das sinhazinhas de pequeninos pés redondos, quase dispensáveis pela falta de exercício. E depois das cadeirinhas, das carruagens, das redes carregadas por escravos, as primeiras grandes estradas já com postos de montaria organizados, o pedágio de vinténs estabelecido já no século XVIII. Mas além da abertura dos portos, depois da primeira etapa da industrialização, com os navios a vapor, as estradas de ferro, o pé de sete milênios da Terra do Brasil ainda faz seu caminho. Há pouco, numa das mais belas rodovias (a chamada “Circuito das Águas”), vi comovida, à beira dos largos caminhos cimentados por onde flui novo progresso, ainda legiões de pés caboclos: o marido, a mulher, seus baús, suas crianças, uma velha fechando a pequena caravana. Inundados pela fumaceira dos grandes caminhões pejados de mantimentos ou de objetos de consumo, esses brasileiros recordavam, no mundo do Desenvolvimento, sete mil anos de andanças a pé. Eram vários, que buscavam novos destinos, estavam marginalizados física e socialmente na era da escalada dos transportes só os estudantes em férias, os escoteiros, conhecerão a aventura de se transportar a pé. As rodovias riscam o Brasil de um varejar de progresso que se ramifica e se entrecruza. As estradas de ferro, as rotas dos aviões conduzem mais e mais gente, mais e mais riquezas. Por enquanto, porém, ainda podeis dizer: No começo era o pé – e ainda hoje, para multidões obscuras de brasileiros não incorporados à realidade cada vez mais esmagadora do progresso nos transportes, ainda hoje, humilde, persistente, vadiando pelos confins do Brasil ou caminhando certo para o bem-estar de uma família, ainda hoje é o pé.

Questões exploradas pelos alunos
01. O que se entende pela expressão “no começo”, contida no título do texto?

02. O que a autora quis expressar com o plural “brasis”?

03. A quem se refere o texto com as expressões:

a) “pés sobre-humanos”
b) “pés descalços”
c) “pés calçados”
d) “pés redondos”

04. Explique: “... Esses brasileiros recordavam, no mundo do desenvolvimento, sete mil anos de andanças a pé.” 

05. Aponte duas passagens do texto que podem ser consideradas como crítica social.

06. Explique a comparação que a autora faz entre os pés dos primeiros habitantes brasileiros às pedras. “E nos pés dos que subiam às rochas distantes, já feitos pedra também.”

07. De que trata a seguinte passagem do texto: “... e nos que se enfeitaram de penas e receberam as primeiras botas dos conquistadores e as primeira sandálias dos pregadores.”

08. Explique: “Depois o Brasil se fez sedentário numa parte do seu povo.”

09. Você concorda com a autora quando ela afirma que existem milhares de brasileiros marginalizados física e socialmente na era dos transportes? Justifique.

10. Por que, segundo a autora, ainda não se pode dizer “no começo era o pé”?


Sínteses Integradoras